E a colheita, como vai?

Publicado em 02/08/2015 às 22h42

Colheita de café

É só encontrar algum conhecido  e essa é a pergunta ouvida nessa época do ano. Não falha. Seja só para "puxar" assunto ou para comparar resultados, sendo outro produtor.

Bom, na Alto Buritis iniciamos no início de junho e após uma pausa para esperar o período chuvoso passar, reiniciamos e até agora colhemos  em torno de 70% da safra. 

Esse ano é de safra baixa, mesmo assim o ritmo está puxado. Colheremos menos da metade do ano passado - em torno de 3.200 sacas.

O que se ouve entre produtores e outros profissionais da área é que esta safra está com vários problemas: atraso na colheita, quebra de produtividade, quebra de peso, tamanho dos grãos bem menor que o normal, muito café no chão com consequente perda de qualidade, eventos de chuva que provocam também problemas de qualidade e até fermentações indesejadas antes da colheita enquanto os grãos ainda estão na planta - Ufa!

Na Alto Buritis não temos tido problemas com relação a qualidade da bebida. Mas certamente os grãos estão bem menores que num ano normal. Um mesmo talhão que o ano passado produziu 50% de grãos peneira 17 acima, não alcança 20% nesse ano. Isso reflete na produtividade e deve provocar uma frustração em torno de 10 a 15% no volume total a ser colhido.

Vou tentar mostrar a rotina das pessoas na fazenda durante o período da colheita, que hoje em dia é muito diferente da ilustração acima:

Tudo começa com o Luiz fazendo um levantamento em todos os talhões para determinar qual o próximo a ser colhido. Aí  faz-se a regulagem da colhedeira (velocidade, vibração das varetas, freio do giro, retirada ou colocação de varetas), colhe-se um trecho e analisa-se o resultado (porcentagem de grãos verdes colhidos, desfolha, se o que está ficando na planta  está aceitável). É comum após esse teste, decidir-se por trocar de talhão e começar tudo de novo.

Estando tudo certo, o Noé, que é o operador da colhedeira toca o serviço (vídeo aqui)  acompanhado de perto pelo Sérgio que conduz um trator acoplado a uma carreta onde a máquina deposita o café colhido. Para encher a carreta em um talhão cuja produção é de 100 sacas por hectare leva 40 minutos enquanto  que em um com 20 sacas vai levar  umas duas horas.

Revolvendo o café no pátioCarreta cheia, vai direto para o terreiro (ou pátio de secagem) onde o Carlos indica qual dos 5 terreiros receberá o café para iniciar o processo de secagem. Essa etapa é crucial para manter a qualidade dos grãos e muita técnica é aplicada. Aqui o Carlos coordena os serviços auxiliado pelo Lucas e por mim que fico responsável pelas anotações que possibilitarão a rastreabilidade de cada lote. Isso significa que, desde que os outros elos da cadeia façam sua parte, um consumidor de qualquer parte do mundo tem condições de ter informações sobre o café que está tomando (produtor, fazenda, talhão, variedade, história, etc.).

Após a passada da colhedeira, o Luiz avalia se é necessário fazer o repasse, isto é, se a quantidade de café que ficou nas plantas é suficiente para compensar o custo com o retrabalho, que pode ser mecânico (segunda passada da colhedeira) ou manual. Esse ano contratamos cinco trabalhadores temporários para realizar esse serviço.

Antes de iniciar a colheita, alguns frutos caem no chão devido ao amadurecimento precoce ou por chuvas e ventos fortes. A colhedeira também deixa escapar uma pequena parte dos frutos que colhe. Isso faz com que tenhamos que recolher do chão algo em torno de 25% do total dos grãos (operação chamada de varreção). É aí que entra o Aldo com seu equipamento enleirador, juntando tudo (folhas, paus, restos do mato e frutos) no meio da entrelinha (vídeo aqui) preparando para que o Douglas venha a seguir com sua Mogiana 25A recolhendo tudo isso, abanando e separando apenas os grãos de café e depositando-os numa caçamba sobre a máquina (vídeo aqui).

Esse café segue para lavagem numa outra máquina que processa 10.000 litros de café por hora e utiliza cerca de 800 litros de água para isso. Logicamente esse café será de qualidade inferior e será tanto pior quanto mais tempo tiver ficado em contato com o solo e umidade.

Cada lote é acompanhado de perto e ao chegar em 11,5% de umidade é beneficiado e enviado para o depósito da cooperativa.

Categoria: Café
Tags: café, colheita, qualidade, repasse, secagem, varreção

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