Defensivos: Dá pra reduzir?

Publicado em 22/07/2017 às 19h09

Defensívos

É pra lá de desafiador escrever um post sobre uso de agrotóxicos. É com certeza um tema muito controverso e que em geral,  agricultores tendem a evitar a todo custo. Somos frequentemente acusados de  abusar do uso desses produtos com o que, pra ser sincero, concordo. Mas, existem produtores e produtores. Como em tudo, não dá pra generalizar e colocar todos em um saco só. Assim como não dá para demonizar todos os produtos, nem todos os técnicos que recomendam, nem todas as indústrias do setor. Má fé aqui e ali, desconhecimento, acomodação, uma certa dose de tradição, ganância, falsos paradigmas, tudo isso ajuda a inflar os números relacionados aos pesticidas. Os dados a seguir estão no site da Embrapa:

"Anualmente são usados no mundo aproximadamente 2,5 milhões de toneladas de agrotóxicos. O consumo anual de agrotóxicos no Brasil tem sido superior a 300 mil toneladas de produtos comerciais. Expresso em quantidade de ingrediente-ativo (i.a.), são consumidas anualmente cerca de 130 mil toneladas no país; representando um aumento no consumo de agrotóxicos de 700% nos últimos quarenta anos, enquanto a área agrícola aumentou 78% nesse período."

Ainda segundo o site, essas são as culturas que mais utilizam  defensivos no Brasil (em ton/ano de i.a.) : Soja (42.015), milho (15.253), citros (12.672), cana (9.817), café (8.780). Porém , levando-se em consideração  as áreas cultivadas por cada cultura (em kg/ha de i.a.):  Tomate (52,5), batata (28,8), citros (12,4), algodão (5,9), café (4,2), soja (3,2), cana (2).

Os números da Alto Buritis

Como já foi dito aqui antes, adotamos critérios muito rigorosos ao optar pelo uso de defensivos químicos para controle de pragas e doenças. E temos conseguido bons resultados, como por exemplo a não necessidade de pulverização para broca-do-café nos últimos quatro anos e para ácaro-da-leprose nos últimos onze anos. O controle de pragas na fazenda acontece através de inimigos naturais em sua maior parte.

Em nome da transparência mostramos abaixo, gráficos que mostram que para doenças, em especial a ferrugem, não temos ainda conseguido tal êxito. Os valores referem-se a ingredientes  ativos e  incluem adjuvantes e cobre.

Defensivos - Todos

Defensivos - Finalidade

Defensivos - Classe

O primeiro gráfico refere-se ao total de ingredientes ativos utilizados por saca produzida, o segundo separa por finalidade e o terceiro por classe toxicológica, sendo os de classe I os mais tóxicos. Fácil perceber o baixo uso de inseticidas e maior uso de fungicidas.

Infelizmente, não acredito que seja possível a produção em alta escala sem o uso de alguma ajuda dos defensivos químicos. Digo isso porque sei do esforço que fazemos (e continuaremos a fazer), para evitar, implantando variedades resistentes, melhorando as condições ambientais e de fertilidade do solo.  Mas deve fazer parte da missão de todos os agricultores, encontrar meios para reduzir. Isso é possível, vamos desafiar os técnicos, buscar informações, fazer diferente e, acima de tudo, aliemo-nos a natureza oferecendo condições para  que ela nos auxilie - na Alto Buritis, mantemos uma reserva ambiental de 570.000 m², que corresponde a quase metade da área de café.

O vídeo cujo link adiciono abaixo, é um dos muitos que encontramos na internet com exemplos aos quais não podemos ficar indiferentes.

https://www.youtube.com/watch?v=gSPNRu4ZPvE

Categoria: Café, Gestão
Tags: abuso, agricultura sintrópica, café, defensivos, doenças, natureza, pragas, variedades resistentes

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