Café - Custo da produção

Publicado em 09/04/2018 às 11h24

Custos

É notório que muitos produtores não controlam os gastos em suas propriedades e, portanto não sabem responder quanto custa produzir cada saca de café ou o tratamento de um hectare da cultura.  Para esses eu diria que estão perdendo um tempo precioso e que estão como a navegar em um imenso oceano sem saber a direção para onde estão indo, se é que não estão navegando em círculos. É um risco enorme.

Mas as vezes ouço de outros produtores ou aparece na mídia informações sobre o custo de produção e logo me pergunto: Como será que foi calculado isso? Fico sempre com um pé atrás, desconfiando da informação, porque sei dos percalços para se chegar a um dado concreto e confiável, pelo menos pelos motivos:

  • Nós, brasileiros não somos educados pra isso e não temos o hábito de sermos organizados suficientemente para tratarmos dessa matéria como deveríamos;
  • Se temos algum nível de controle, é muito comum entre nós, misturarmos a movimentação da vida pessoal e a da empresa, e aí o controle não serve para quase nada;
  • Quando há a vontade de implementar um controle, surge certa dificuldade, já que normalmente falta assessoria por parte das cooperativas e das entidades de extensão rural;
  • Implementado o sistema, só se consegue um custo de produção confiável, após pelo menos dois anos-agrícolas (o ideal são quatro). Dados de apenas um ano carregam falsos indicadores relacionados às particularidades do ano-safra;
  • Além disso tudo, os indicadores poderão ser completamente  diferente (e normalmente são), variando de uma região para outra e também de uma fazenda para outra.

Por isso, defendo fortemente que cada propriedade, seja qual o tamanho, tenha um sistema de controle de custo da produção. Sem isso, não há gestão alguma.

Aqui, vou tentar ajudar com dicas e controles que uso para chegar aos indicadores que precisamos. Não é necessário implementar tudo de uma vez, aliás nem é indicado. O importante é tomar a decisão e ir avançando aos poucos, ir dominando as etapas.

Recomento uma lida no post abaixo, onde mostro alguma coisa sobre o sistema de gestão da fazenda Alto Buritis:

 http://www.cafealtoburitis.com.br/blog1422220055/sistema-de-gestao-1-de-5.html

 

Entendendo a formação do custo, segundo terminologia amplamente empregada e conhecida:

Antes de mais nada, tenha em mente que as atividades relacionadas ao(s) negócio(s) precisam estar bem definidas, e separadas das relacionadas à vida pessoal particular. Exemplos: Se uso o carro da família para transportar algo para a fazenda, esse gasto deve ser dimensionado em separado. Como parte do seu tempo é dedicado a produção, essa disponibilidade também tem seu custo e deve ser apropriado. Importante também é não deixar nada de fora, mesmo que seja um parafuso de cinquenta centavos. E por último é recomendável manter os fundos em contas separadas, uma para os gastos pessoais e familiares e outra para as atividades de produção.

Vamos às secções do custo.

Custo Operacional Efetivo (COE) - É a soma dos valores efetivamente desembolsados (pagos) pelos insumos e serviços utilizados na produção de uma unidade (saca ou hectare)  -  mão de obra fixa ou contratada, adubo, defensivos, energia, impostos, taxas, contador, manutenção de máquinas e benfeitorias, arrendamento, etc.

  • Se o montante das receitas da atividade é equivalente  ou pouco maior que o COE, não garante a viabilidade do negócio, apenas mostra que ele se sustenta no curto prazo.

Custo Operacional Total (COT) - Compreende o COE mais a depreciação de todos os bens de produção, exceto a terra. Máquinas, benfeitorias e lavouras perenes precisarão ser repostas após sua vida útil e sofrem desvalorização com o tempo, então o investimento efetuado nesses bens, entrarão no custo ao longo de sua vida útil, e não de uma única vez.  Quanto a mão de obra do proprietário empregada na produção, ela precisa ser valorizada e acrescentada nessa seção do custo (ou pode fazer parte do COE). Em breve vou fazer outro post sobre custo fixo, mostrando a forma de cálculo.

  • Se a receita cobre o COT, significa que o negócio se sustenta no longo prazo, embora não garanta lucro para o proprietário.

Custo Total (CT) - Aqui é contemplado também o custo de oportunidade do capital investido no negócio, ou seja, se você tivesse investido seu dinheiro em outra atividade, ou aplicado num investimento em títulos públicos ou CDB, por exemplo, você teria hoje mais ou menos capital?

  • Se a receita superar o CT, efetivamente houve lucro.

Talvez a essa altura, você tenha entendido melhor o porquê de eu desconfiar de números que chegam até nós. Eles não vêm acompanhado de nenhuma informação complementar:  COE, COT ou CT? Qual região? Qual o porte da fazenda? Qual a idade média das lavouras? A estrutura é compartilhada com outra atividade ou não? E por aí vai.

 

Esse diagrama mostra resumidamente como enquadrar cada tipo de desembolso nas secções do custo de produção.

 Custo produção COE, COT, CT

 

Na Alto Buritis, além de participarmos do Educampo do Sebrae (Leia o post: http://www.cafealtoburitis.com.br/blog1422220055/visita-de-produtores-do-sul-de-minas.html),  uso uma planilha que desenvolvi para ter os principais indicadores em tempo real e fazer projeções. Ela fornece o COE e o COT por hectare, por saca e por talhão. Além disso, posso perquisar para cada atividade um elemento de despesa específico. Exemplos: Quanto custou a mão de obra para adubar o talhão 8? Qual o custo com energia para irrigar um hectare? Ela está disponível na aba "downloads".

Esse é um tema relativamente complexo e não vamos dar por esgotado, mas reforço que é de vital importância que todos os produtores, se ainda não o fizeram, iniciem o entendimento dos conceitos e comecem um sistema de controle.

Categoria: Gestão
Tags: café, COE, COT, CT, custo, custo café, custo de produção

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