Café

Fomos à Expo Coffee 2018 - Seattle

Publicado em 14/05/2018 às 18h55

Expo Coffee 2018

Estive representando a Alto Buritis na Expo Coffee 2018 em Seattle (EUA), evento promovido pela SCA (Associação Americana de Cafés Especiais), em viagem patrocinada pela Syngenta através do programa PIN (Produtividade Integrada) no qual fomos premiados pelo primeiro lugar em consistência na preservação da qualidade. Nosso lote conseguiu a mesma pontuação antes e após o processamento pós-colheita, o que mostra que nosso processo está mantendo o potencial de qualidade de nossos cafés.

Fui acompanhado por um produtor do cerrado, outro do sul de minas e pelo pessoal da Syngenta responsável pelo programa Nucoffee (saiba mais), a quem agradeço muitíssimo.

Prêmio PIN 2017

Os pontos altos da viagem:

A visita à exposição sem dúvida foi muito marcante. Pelo que vi, não é voltada propriamente para produtores que não comercializam diretamente com torrefadores, mas é muito grande e contempla todos os elos da cadeia, da produção ao consumo, passando pelas mídias especializadas, concursos, palestras, cursos, treinamentos. Os produtos direcionados às várias formas de extração da bebida, com certeza são maioria, e estão cada vez mais tecnológicos, com múltiplos sensores e displays e também conectados, com aplicativos dedicados nos Smartfones. Por tudo isso, acho que vale muito a visita, pelo menos uma vez. Nos dá uma clara noção de quão vasto e vibrante é o universo do bem que nós produzimos, o que só faz aumentar ainda mais a paixão e a responsabilidade.

Andando pelos inúmeros corredores, não pude deixar de notar:

  • É enorme o número de pessoas que se interessam e amam estar juntas e conversando sobre o universo café. Desde a abertura da exposição até o final, o vaivém, o entra e sai, o burburinho nas inúmeras rodinhas chega a ser frenético e contagiante.
  • Em se tratando de café, há gostos para todo tipo de produto final, seja na forma de extração, de apresentação, quente ou gelado, oriundo de uma ou outra origem.  É grande a variedade em todos esses quesitos e percebe-se muitos adeptos a todas as nuances da bebida.
  • Com relação às origens, há claramente um esforço por parte dos produtores para diferenciar os cafés das várias origens e mais ainda, subdividindo as regiões em sub-regiões ainda menores, só da indonésia, pude contar umas vinte origens diferentes. E também fazendas individualmente  tentando emplacar seu "single origin".
  • Conforme o que nos tem falado os especialistas em palestras e artigos, também pude perceber que o Brasil é sim, importante fornecedor de cafés especiais. Se fomos no passado conhecidos por produzir apenas em quantidade, cafés para compor blends, isso está sendo superado em boa velocidade.
  • Mais uma vez, reforçou em mim a percepção de que eventos grandes aqui no Brasil deveriam ser priorizados pelas lideranças de entidades representativas e/ou empresas que os promovem em detrimento a inúmeros outros muito pequenos e tímidos que pipocam em todo canto. Se por um lado, os mais próximos do produtor facilita o acesso, por outro lado, não atrai tanto em razão de temas repetitivos e profusão de encontros, dificultando a realização por falta de patrocínio.
  • Corredor Expo Coffee 2018

Outros dois bons momentos foram:  um encontro organizado pelo pessoal do Nucoffee, com clientes compradores de café, os representantes da Federação dos Cafeicultores do Cerrado, e outros convidados, no qual os professores Flávio Meira Borém e Rosane Freitas Schwan palestraram sobre o uso de fermentações controladas para conseguir melhorias nos atributos sensoriais do café, e a visita a Starbucks Reserve. Não se trata de uma das quase 30.000 cafeterias da rede, é um conceito totalmente novo em que o mesmo espaço acondiciona uma torrefação, uma boutique de produtos afins, um espaço de co-working  e uma completa Coffee Shop. Tudo super bem decorado, amplo e planejado para instigar a curiosidade e facilitar interações do público com os atendentes e o mestre de torra.

Starbucks Reserve

Starbucks Reserve

Starbucks Reserve

Starbucks Reserve

Starbucks Reserve

Starbucks Reserve

E finalmente muito interessante,  foi a visita à Mukilteo Coffee Roasters (www.mukilteocoffee.com) , uma singular torrefação combinada com charmosa cafeteria e restaurante, surpreendentemente instalada no meio de uma floresta, na Whidbey Island, ao norte de Seattle. Uma experiência muito rica poder ouvir a história da torrefação e a forma de se relacionar com os produtores,  contadas pelo próprio fundador (Gary) e sua esposa (Beth),  ver de perto os detalhes do processo e, mais tarde saborear um delicioso almoço num ambiente muito acolhedor e lindamente decorado. Um luxo. Só aí entendi o porquê de, apesar da distância e do isolamento, o espaço ser muito frequentado todos os dias.

Torrefação Mukilteo

Restaurante Mukilteo

Van Mukilteo

Pra quem ficou interessado em conhecer, em 2019 a Expo Coffee será realizada em Boston e o site é http://coffeeexpo.org

 

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Broca do café - 5 anos sem defensivos

Publicado em 06/05/2018 às 22h01


 Esse é só par deixar registrado que chegamos ao quinto ano consecutivo sem uso de defensivos para a broca-do-café. Isso não é pouca coisa, principalmente se levarmos em consideração que o ano passado foi crítico para a praga. Estamos também a doze anos sem aplicação de acaricidas contra o ácaro da leprose. Sinal que estamos adotando práticas adequadas no manejo da lavoura. A natureza agradece.    

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O nascimento de uma lavoura de café e seus custos II

Publicado em 28/09/2017 às 15h11

florada café primeira safra

Em janeiro de 2016 escrevi um post com o mesmo título deste (acesse aqui), e que foi o mais visto até hoje no site. Passados  dezenove meses, acredito que os leitores vão se interessar em conhecer o que aconteceu desde então.

Uma nova medição mostrou que a área não chega a doze hectares, mas onze.  Pos vários motivos, houve atrasos e a lavoura ficou todo esse período no sequeiro, e a irrigação ficou pronta para funcionar apenas agora em setembro. Apesar de apresentar bom desenvolvimento, seguramente houve alguma perda nas primeiras safras.

Creio que o que chamou bastante a atenção dos leitores foi a divulgação dos números relacionados aos custos de implantação da lavoura.

Custo produção café

Nesses próximos quadros, faço um resumo de toda movimentação financeira  na data do desembolso, ou seja, sem qualquer correção. A data de corte é 31 de agosto, já que toda despesa a partir de 1º de setembro deixa de ser considerada investimento e passa a ser despesa de custeio da safra que será colhida em 2018.

Custo produção café

Custo produção café

Algumas observações:

1 - O gasto com mão de obra, poderia ser uns 20% menor, pois tivemos que fazer uma capina manual por problemas de eficiência do herbicida pré emergente;

2 - O valor do investimento em energia e irrigação foi elevado por tratar-se de um sistema de gotejamento da Netafim todo automatizado, com reservatório revestido com geomembrana e, por ser uma área relativamente pequena, o investimento por hectare ficou muito alto.

3 - Por outro lado, outros custos não estão incluídos, já que toda a estrutura da fazenda (tratores, implementos, colhedeira, recolhedora,  terreiros, etc.) irão atender mais essa área sem a necessidade de ampliação.

Apesar do alto investimento, nossa expectativa é de uma produção nas primeiras safras de 50 sacas por hectare em média, com o retorno do capital em quatro-cinco colheitas. Mas, para a materialização desses números, contamos com clima e mercado pelo menos como na situação atual, o que não é certo, claro. O primeiro tem nos causado preocupação já que tem sido desfavorável nos últimos cinco anos, com índices pluviométricos na casa dos 1.100-1.200mm de chuva enquanto 1.500-1.600mm seria considerado normal, e quanto ao segundo, tão imprevisível quanto o primeiro. A conferir, portanto.

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Defensivos: Dá pra reduzir?

Publicado em 22/07/2017 às 19h09

Defensívos

É pra lá de desafiador escrever um post sobre uso de agrotóxicos. É com certeza um tema muito controverso e que em geral,  agricultores tendem a evitar a todo custo. Somos frequentemente acusados de  abusar do uso desses produtos com o que, pra ser sincero, concordo. Mas, existem produtores e produtores. Como em tudo, não dá pra generalizar e colocar todos em um saco só. Assim como não dá para demonizar todos os produtos, nem todos os técnicos que recomendam, nem todas as indústrias do setor. Má fé aqui e ali, desconhecimento, acomodação, uma certa dose de tradição, ganância, falsos paradigmas, tudo isso ajuda a inflar os números relacionados aos pesticidas. Os dados a seguir estão no site da Embrapa:

"Anualmente são usados no mundo aproximadamente 2,5 milhões de toneladas de agrotóxicos. O consumo anual de agrotóxicos no Brasil tem sido superior a 300 mil toneladas de produtos comerciais. Expresso em quantidade de ingrediente-ativo (i.a.), são consumidas anualmente cerca de 130 mil toneladas no país; representando um aumento no consumo de agrotóxicos de 700% nos últimos quarenta anos, enquanto a área agrícola aumentou 78% nesse período."

Ainda segundo o site, essas são as culturas que mais utilizam  defensivos no Brasil (em ton/ano de i.a.) : Soja (42.015), milho (15.253), citros (12.672), cana (9.817), café (8.780). Porém , levando-se em consideração  as áreas cultivadas por cada cultura (em kg/ha de i.a.):  Tomate (52,5), batata (28,8), citros (12,4), algodão (5,9), café (4,2), soja (3,2), cana (2).

Os números da Alto Buritis

Como já foi dito aqui antes, adotamos critérios muito rigorosos ao optar pelo uso de defensivos químicos para controle de pragas e doenças. E temos conseguido bons resultados, como por exemplo a não necessidade de pulverização para broca-do-café nos últimos quatro anos e para ácaro-da-leprose nos últimos onze anos. O controle de pragas na fazenda acontece através de inimigos naturais em sua maior parte.

Em nome da transparência mostramos abaixo, gráficos que mostram que para doenças, em especial a ferrugem, não temos ainda conseguido tal êxito. Os valores referem-se a ingredientes  ativos e  incluem adjuvantes e cobre.

Defensivos - Todos

Defensivos - Finalidade

Defensivos - Classe

O primeiro gráfico refere-se ao total de ingredientes ativos utilizados por saca produzida, o segundo separa por finalidade e o terceiro por classe toxicológica, sendo os de classe I os mais tóxicos. Fácil perceber o baixo uso de inseticidas e maior uso de fungicidas.

Infelizmente, não acredito que seja possível a produção em alta escala sem o uso de alguma ajuda dos defensivos químicos. Digo isso porque sei do esforço que fazemos (e continuaremos a fazer), para evitar, implantando variedades resistentes, melhorando as condições ambientais e de fertilidade do solo.  Mas deve fazer parte da missão de todos os agricultores, encontrar meios para reduzir. Isso é possível, vamos desafiar os técnicos, buscar informações, fazer diferente e, acima de tudo, aliemo-nos a natureza oferecendo condições para  que ela nos auxilie - na Alto Buritis, mantemos uma reserva ambiental de 570.000 m², que corresponde a quase metade da área de café.

O vídeo cujo link adiciono abaixo, é um dos muitos que encontramos na internet com exemplos aos quais não podemos ficar indiferentes.

https://www.youtube.com/watch?v=gSPNRu4ZPvE

Categoria: Café, Gestão
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Café 2016-Fase final de granação, maturação e colheita.

Publicado em 12/06/2016 às 15h38

Café iniciando manutação

Café início da maturação

Café maturação

Café estágio adiantado de maturação

Rama de café maduro

Café pronto para colheita

 

Este é o terceiro e último post da série que visa mostrar para os não familiarizados, o desenvolvimento dos frutos do café desde a floração até a maturação. As fotos foram feitas entre 10 de abril e 30 de maio e mostram a fase final da formação e processo de amadurecimento dos frutos. Nessa safra, houve uma florada relativamente  precoce, que aconteceu após uma boa  chuva em 06 de setembro, acarretando também uma antecipação do estágio final de maturação. Na Alto Buritis, em outros anos a colheita inicia-se mais tarde por volta de 15 de junho e este ano iniciamos em 25 de maio.

Diferentemente de alguns frutos que continuam o processo de amadurecimento após a colheita (mamão, banana, caqui, e outros), o café amadurece na planta e se for colhido antes do estágio considerado como totalmente maduro (foto 6), simplesmente interrompe-se o processo, e por certo estaremos perdendo alguma coisa que seria transferida para a xícara como atributo positivo. Veja o que diz Ensei Neto, uma das pessoas que mais entende  do assunto:

"... a maior quantidade de açúcares confere o principal atributo num café, que é sua doçura. Tal qual as frutas, as melhores são as mais adocicadas, quando estão perfeitamente maduras. Observe, agora, alguns dos benefícios que um fruto maduro leva à bebida:

• Doçura: cafés de bebida adocicada se enquadram como de "Bebida Mole" e "Bebida Estritamente Mole". São diversos os tipos de moléculas de açúcar presentes no grão, desde os de maior complexidade até os mais simples e de maior impacto de sabor, como a sacarose, glicose e frutose. Estes três últimos são responsáveis praticamente por toda a percepção da sensação doce pelo ser humano.

• Corpo: é a sensação tátil que uma bebida provoca em nossa boca, como algo que transmita densidade dentro de limites como oleoso ou aguado. Quanto mais adocicado é o café, maior corpo irá apresentar. Em parte isto se explica devido à caramelização dos açúcares que ocorre durante o processo de torra do café.

 Finalização agradável: a finalização é o atributo que se verifica após a ingestão da bebida, observando-se tanto sua persistência na boca, quanto a qualidade da sensação restante. É agradável ou áspera, por exemplo, ou deixa uma sensação de secura ou de frescor.

• Sabor: é aqui que se observa o grande ganho na bebida! O açúcar, que confere o sabor adocicado à bebida, potencializa os outros sabores básicos, principalmente a acidez. Assim, uma acidez cítrica, a mais presente em cafés brasileiros, ganha característica adocicada se o grão for colhido maduro, melhorando em muito a percepção desse atributo. Imagine a diferença entre chupar um limão e uma tangerina. Ambos possuem ácido cítrico em teores muito próximos, porém a presença do açúcar na tangerina modifica sua impressão, transmitindo que sua acidez é mais agradável."

Taí. Mas a complicação para o lado do produtor é grande, não basta querer. Primeiro porque, mesmo que a fazenda possua variedades com estágios de maturação diferentes  (precoce a tardio), o processo é demorado e depende da estrutura que a fazenda possui e que nunca é plenamente satisfatória, então não se consegue colher todos os frutos no estágio ideal. E segundo porque normalmente acontecem floradas, numa mesma planta,  com espaço entre elas que pode chegar a várias semanas, e consequentemente a maturação vai ocorrer em tempos diferentes, cerca de 240 dias após cada florada.

Bom, dependendo da região e com o uso de tecnologia e informação, pode-se minimizar esses efeitos prejudiciais a qualidade do café. No caso de colheita contendo alguns grãos verdes, esses podem ser separados de duas formas:  no processamento via úmida, reduzindo a pressão no descascador e fazendo com que o fruto verde não passe pela peneira. Ou no processamento via seca (ou natural), após o beneficiamento faz-se um rebenefício com a separação eletrônica onde grãos com cores discrepantes são separados. Ultimamente, temos empregado a técnica da colheita mecânica seletiva para diminuir a porcentagem dos grãos verdes, imprimindo uma maior velocidade a colhedeira com uma menor vibração das varetas. 

Já no caso de colheita tardia, quando os frutos já estiverem além de maduros, o risco maior é de fermentação indesejada, ainda na planta, em locais onde a umidade relativa do ar é alta. No cerrado mineiro, isso raramente acontece por termos um inverno muito seco e assim,  conseguimos cafés naturais de excelente qualidade.

 

Café no terreiro com pássaros

Essa foto é do nosso primeiro lote de café safra 2016. Assim que é espalhado no terreiro, e como estamos cercados de matas, pássaros de várias espécies aproveitam para se alimentar dos muitos insetos que acabam vindo junto, uma vez que praticamente não aplicamos inseticidas na lavoura. Um verdadeiro espetáculo.

Categoria: Café
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